Não se sabe ao certo quando é que a planta do algodoeiro começou a ser conhecida e utilizada pelo homem. Estima-se que a pelo menos 2000 anos o homem tenha conhecido e começado a utilizar a planta do algodoeiro. Sabe-se também que a pelo menos dois mil anos na Índia, Peru e México já eram usados tecidos feitos a partir da fibra do algodão.
Embora não se sabe ao certo quem foi o primeiro a fazer o uso industrial da fibra do algodoeiro, dados e relatos históricos de viajantes e historiadores (entre eles Heródoto) apontam os indianos como tendo sido os pioneiros na domesticação da planta (450 a.c.) e uso industrial da fibra do algodão. Estes usaram instrumentos rudimentares chamados Churka, para tecer a fibra e produzir um tecido que cedo começou a ser usado como veste pela população.
Durante muitos séculos os chineses apreciaram as flores do algodoeiro e as cápsulas do algodão pela sua beleza. Porém só no século X é que estes começaram a tecer a fibra do algodoeiro.
A disseminação da planta do algodoeiro foi um processo gradual e lento muitas vezes este seguiu as relações comerciais e políticas dos Estados da antiguidade.
Início do cultivo do algodão Moçambique
A cultura de algodão em Moçambique, remonta desde o período pré-colonial, contudo, ela tornou-se uma cultura obrigatória durante o mandato de Baltasar Manuel Pereira do Lago, Governador-Geral de Moçambique de 1765 a 1779. Desde então Baltasar mandou instituir um regime compulsivo de cultivo de algodão na região de Rios Sena (hoje Tete), contudo esta iniciativa não teve sucesso devido ao fraco controlo administrativo colonial português nesta região, isto aliado ao facto que parte da população praticava esta cultura ao lado de outras culturas de grande valor comercial tal como o chá, a cana de açúcar, e óleos vegetais que asseguravam um rendimento regular, sem ser necessário novos investimentos nem de reconverter os seus métodos e técnicas de produção. Note-se também que nem mesmo entre a população branca colono eram escassos os conhecimentos sobre as técnicas necessárias a se usarem no cultivo do algodoeiro.
Dados históricos apontam a cultura de algodão em Moçambique ter começado a se desenvolver com muita intensidade a partir do início do século XIX . numa primeira fase, esse desenvolvimento deveu-se ao um esforço individualizado de aventureiros e viajantes, administradores coloniais ávidos de poder e cobiça pela fortuna fácil. Só anos mais tarde é que a cultura começou a configurar-se na lista das principais culturas de exportação de Moçambique. Os factores que levaram com que a cultura não configurasse na lista de produtos de exportação de Moçambique durante os primeiros anos da sua implantação foram devido a falta de equipamentos e meios técnicos para o descaroçar do algodoeiro. Após a introdução de máquina de descaroçar houve uma tendência de aumentar o volume de produção e de fibra processada.